sábado, 6 de setembro de 2008

Da impossibilidade de saber

Meus livros me oprimem.

Ao sentar na cadeira, ligar o computador e começar a navegar, eles olham para mim, do alto de sua sabedoria, com indubitável reprovação. Parecem dizer: "tudo que há em nós pra saber aqui, à espera, e você postando em bloguezinhos na internet?!".

Olhar em volta é saber de tudo que não sei. Não sei o pensamento de Mangabeira sobre a esquerda, a história da maior companhia de mercenários do mundo, a história de Kofi Annan, como acabar com a pobreza em uma geração, quais as estratégias dos países desenvolvidos para se desenvolver, qual a política externa dos EUA frente a genocídios...

Pior ainda é abrir o jornal ou a Amazon. Como escolher entre Fukuyama analisando eventos imprevisíveis da política e Rodrik analisando as diferentes políticas econômicas? É justo ter de decidir se quero saber como será o século pós-americano ou como Arrighi vê a ascensão da China?

E como ler todos os livros sem me desconectar do presente?! Como ficar sem ler as análises da The Economist, artigos da Foreign Affairs, relatórios de bancos e colunas do Mainardi (bom, esse é fácil descartar...)?? Como escolher entre o conhecimento acumulado em livros ao longo de décadas e as últimas reportagens sobre guerra na Geórgia, eleições nos EUA, crise no Paquistão, furacão no Haiti?

Minha ignorância me abisma. O pouco que sei de história é nada perto da minha deficiência em teoria econômica; meus parcos conhecimentos de filosofia e sociologia nem de perto compensam minha ignorância sobre matemática e física; o bastante que conheço de política e economia internacionais me bastam, frente à minha impossibilidade de ao menos começar a entender genética, bioquímica, astrofísica ou mecânica quântica?

Minha ignorância não me permite saber o autor da frase, mas com certeza estava certo quem disse que "o conhecimento é limitado; a ignorância, infinita"

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