quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A História do Cotidiano

Em meio à essa crise de proporções hercúleas, pensar que estamos vivendo um capítulo que entrará, daqui a 10 anos, nos livros de história não é exagero.
Para quem estuda a história e vê uma conexão direta entre passado, presente e futuro, às vezes é complicado distanciar-se o suficiente para ter essa noção do que, de fato, hoje, fará alguma, qualquer diferença em 10, 50 ou 200 anos. Em 10 anos o problema entre a Rússia e a Geórgia ainda terá relevância; em 50, a invasão ao Iraque provavelmente ainda terá; em 200, temos o 11 de setembro que, aposto, será marco fundamental de "eras históricas"
O próprio conceito de "era" é problemático. Obviamente algo post facto, determina, de forma arbitrária, um sistema, um "modo de produção", valores comuns, culturas, enfim, mostra a diferença de algo mais antigo com algo mais recente. Claro que tentar engessar algo fluido, artificializar um objeto não-articializável, não só é problemático como errado; mas não deixa de ser, grosso modo, uma forma de explicar o mundo à nossa maneira.

Pré-história
Das origens do homem até c. 4000 a.C.
Antiguidade
De c. 4000 a.C. a 476
Idade Média
De 476 a 1453
Idade Moderna
De 1453 a 1789
Idade Contemporânea
de 1789 aos dias atuais

Entrando nesse espírito, em que era vivemos? Os tempos contemporâneos, marcados pela revolução francesa? Mas o que nos liga aos europeus dos fins de século XVIII, aos impérios do século XIX? Qual a correlação entre as Guerras Napoleônicas, as Guerras Mundiais, a Guerra Fria e a "Guerra contra o Terror"? Mesmo os costumes, a cultura, o "modo de produção" ou seja lá como quiser definir uma era histórica - é a mesma?
Não, não vivemos em uma mesma era. A era é nova. Talvez a Era Atômica pós-Segunda Guerra. Quem sabe a Era do Espaço pós-chegada à Lua. Talvez também a Era da Globalização pós-choques do petróleo. Ou a Era da Hegemonia pós-Guerra Fria? Pra mim, mais do que isso.
Explico: uma das formas de separação das eras é a energia principal utilizada para o desenvolvimento humano. Força do homem, na pré-história; tração animal na idade antiga; traça maquinária na idade média; carvão na idade moderna; petróleo na contemporaneidade - bem aproximado e grosseiro, mas é comum ver ciclos de energia na história do homem e como a necessidade de produção/busca por eficiência/sobrevivência leva a novas formas energéticas mais eficientes e, daí, uma mudança brusca no sistema produtivo, social, econômico, político vigente. Oras, ainda que o petróleo seja a principal força energética que nos sustenta, entramos em nova era - a Era Atômica. O fim da Segunda Guerra poderia ser uma data suficiente para essa Era, absolutamente diferente da anterior e com sua constância sócio-política-econômica própria.
Ou não. O estudo da história foi sempre muito concentrado na Europa e tais "eras" pautam-se exclusivamente na história européia; algo absolutamente insuficiente para o mundo como um todo. Pensar, portanto, no mundo como um todo poderia nos levar a uma nova forma de categorização, de acordo com a aproximação de civilizações, por exemplo. Encontros raros, primeiras formas de diplomacia com China-Roma, o sistema tributário chinês, as grandes navegações, as colonizações, os Impérios, as Guerras Mundiais, a globalização e o "choque de civilizações" - exemplos grosseiros de eras do mundo, dessa forma.
Mas o mundo é feito por pessoas, não Estados ou afins. Definir, pois, eras de um mundo pautado em acordos de personalidades e heróis ou burocracias impessoais é sair da história que vivemos do cotidiano. Qual é o seu papel pra história? Nenhum? Votar em um outro alguém que ficará "famoso"? Virar um número em uma manifestação, em um Censo, em um genocídio? Ou passar, despercebido, na história?
Ou podemos parar de divagar sobre essas bobeiras positivistas e parar de cristalizar esse fluxo de mão única que é a história. Mas, sim, nos perguntar: a atual crise financeira que estamos vivendo será importante daqui a 10 anos? 50? 200? Mudará o mundo? Ou só dela nos lembraremos na "Retrospectiva 2008" da Globo?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Igreja, Estado e o Aborto de Anencefálicos

Esta semana, entre muitas notícias espetaculosas, vimos que o STF determinou que o julgamento a respeito da legalidade de realizar aborto no caso de gestação de bebês anencefálicos - aqueles que não terão cerébro (ou o terão mal formado) e, portanto, não conseguirão sobreviver muito tempo após o parto. A respeito deste tópico, tenho apenas dois comentários:

1- A Igreja, e o lobby anti-aborto de um modo geral, estava usando como bandeira o caso em que uma menina sobreviveu por cerca de um ano e oito meses sendo anencefálica. Sucede que, na verdade, não era anencefálica. Uma junta de médicos foi ao STF e explicou que a menina sofria de uma outra doença que compartilhava algumas semelhanças na fisionomia do paciente com a anencefalia. Será que houve má vontade por parte do lobby anti-escolha ou foi falta de informação que os levou a levantar esta falsa bandeira?

2- Que raios está fazendo a Igreja no Judiciário, me explica. Até onde eu sei, o Brasil é um Estado Laico, com explícita separação entre a máquina pública e a Igreja. É claro que as religiões têm como influenciar decisões políticas, afinal de contas é sua obrigação prover uma liderança moral e espiritual para seus seguidores. Mas é só pra eles. Apenas o Estado brasileiro deve ter capacidade de influenciar/determinar o que acontece na nossa sociedade de forma universal, independente de raça, sexo, religião, filiação política e demais clivagens; e mesmo assim obedecendo a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição Brasileira.

A separação entre Estado e Igreja não é um vício mesquinho da modernidade. É um avanço na busca da humanidade em tentar evitar conflitos perigosos, aqueles que uma vez que entram numa espiral descendente, raramente acabam sem deixar cicatrizes numa sociedade.

As religiões, de modo geral, atuam no campo da moral, no sistema de valores de seus seguidores, elas influenciam o modo de se enxergar o mundo. Como há diversas religiões, é bem provável que duas ou mais não possam coexistir em uma mesma pessoa. É como futebol, ou você é flamenguista, ou você é tricolor, ou vascaíno, etc... não dá pra ser de mais de um time ao mesmo tempo. Por isso, desde a guerra dos trinta anos na Europa, percebeu-se que é melhor não impor uma determinada visão (que é consequencia de uma religião) indiscriminadamente sobre um grupo de pessoas.

Pois bem, de que forma isso se aplica ao tema em questão? Ora, a CNBB que emitiu uma nota contra a antecipação terapêutica, tentando torná-la ilegal. Se essa nota se dirigisse à população católica, tudo bem. Dou me apoio. Mas não foi assim,dirigiu-se ao Supremo Tribunal Federal para que decida a favor da posição da Igreja. E a população brasileira que não é católica? Se uma mulher está grávida de um feto anencefálico mas quiser mantê-lo até o final, também não me oponho.

Há uma diferença básica no que diz respeito à cidadania aos valores republicanos ente os médicos que defendem a intervenção e a Igreja. Enquanto aqueles prezam pela liberdade de escolha, a Igreja quer obrigar a população interia do país a viver sob os padrões de sua religião, em total desrespeito à divergência e a um princípio básico para a sanidade de qualquer sociedade que é a luta pela coexistência pacífica.

É em situações como esta que medimos a força de uma democracia e o respeito aos valores republicanos.

sábado, 6 de setembro de 2008

Da impossibilidade de saber

Meus livros me oprimem.

Ao sentar na cadeira, ligar o computador e começar a navegar, eles olham para mim, do alto de sua sabedoria, com indubitável reprovação. Parecem dizer: "tudo que há em nós pra saber aqui, à espera, e você postando em bloguezinhos na internet?!".

Olhar em volta é saber de tudo que não sei. Não sei o pensamento de Mangabeira sobre a esquerda, a história da maior companhia de mercenários do mundo, a história de Kofi Annan, como acabar com a pobreza em uma geração, quais as estratégias dos países desenvolvidos para se desenvolver, qual a política externa dos EUA frente a genocídios...

Pior ainda é abrir o jornal ou a Amazon. Como escolher entre Fukuyama analisando eventos imprevisíveis da política e Rodrik analisando as diferentes políticas econômicas? É justo ter de decidir se quero saber como será o século pós-americano ou como Arrighi vê a ascensão da China?

E como ler todos os livros sem me desconectar do presente?! Como ficar sem ler as análises da The Economist, artigos da Foreign Affairs, relatórios de bancos e colunas do Mainardi (bom, esse é fácil descartar...)?? Como escolher entre o conhecimento acumulado em livros ao longo de décadas e as últimas reportagens sobre guerra na Geórgia, eleições nos EUA, crise no Paquistão, furacão no Haiti?

Minha ignorância me abisma. O pouco que sei de história é nada perto da minha deficiência em teoria econômica; meus parcos conhecimentos de filosofia e sociologia nem de perto compensam minha ignorância sobre matemática e física; o bastante que conheço de política e economia internacionais me bastam, frente à minha impossibilidade de ao menos começar a entender genética, bioquímica, astrofísica ou mecânica quântica?

Minha ignorância não me permite saber o autor da frase, mas com certeza estava certo quem disse que "o conhecimento é limitado; a ignorância, infinita"

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Drogas e Drogas

Fugindo ao renitente tema das olimpíadas, pretendo cumprir meu papel de informar ao cidadão comum sobre temas que não teria contato a não ser que estivesse trabalhando diretamente com eles.

Pois bem, o que são "drogas"? Em português, quando se fala em drogas, imediatamente se pensa em maconha, cocaína, ecstasy, LSD, anfetaminas, metanfetaminas, heroína, e por aí vai. A única coisa em comum a todas estas é que elas são drogas "ilícitas". Diferem do Diazepam (Valium), para citar um exemplo, pois não podem ser consumidas sob hipótese alguma; enquanto este remédio, apesar de todos os riscos que apresenta ao indivíduo, pode ser receitado por médicos em casos de necessidade. Lógicamente, o Diazepam, quando é receitado, ele tem uma função médica clara (acredito), que é curar, ou ajudar na cura de doenças ou problemas que indivíduos venham a ter. As "drogas" difícilmente serão consumidas com a mesma nobre função. Porém, não há nada a priori que diferencie os remédios das drogas - tanto que em inglês, a mesma palavra "drug" se refere às substâncias lícitas e ilícitas, e que aquelas se compram em 'drogarias'. A diferença é que remédios são ministrados sob prescrição, determinando quantidades e frequencia a serem obedecidos pelo consumdor. "Drogas", não.

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Que o consumo de drogas nas grandes metrópoles do mundo apresenta um problema, não restam dúvidas. Mas, está se fazendo tudo o possível para diminuir este problema? Quem usa drogas, alimenta uma economia paralela à estritamente legal, seja ela vinculada ao tráfico internacional de drogas ou não (pois há quem plante maconha em casa e não tenha relação com a criminalidade - lógicamente, sem contar o fato em sí de plantar maconha). Infelizmente, a grande maioria dos consumidores alimentam a primeira turma. Essa turma é a que compra armas para ditar suas leis nos morros do Rio, os que compram armas nos Andes e enfrentam a Colômbia ( bem ou mal uma democracia cujos líderes são eleitos e que tem algum compromisso com o Estado de Direito e os Direitos Humanos ) ou a galera que se arma no Afeganistão e... bem lá os problemas são... mais espetaculares. Imaginem vastas somas de dinheiro (centenas de milhões de dólares) para movimentos criminosos afegões e as últimas cem vezes em que vocês ouviram "Afeganistão" ser mencionado nos últimos 6 anos, 11 meses e 10 dias.

Enfim, nenhum dos três grupos mencionados - os dois últimos, maiores produtores/exportadores de cocaína e ópio, e o primeiro, principal razão de insegurança no Rio de Janeiro - é composto de "gente boa", convenhamos. Não acho uma boa idéia misturar quem consome drogas com essa 'turma'. Porém, a atual legislação obriga isso. As leis de drogas do Brasil não ajudam a reduzir o sofrimento dos viciado em drogas (aliás, um problema de saúde, e não de Segurança Publica/Direito Penal), nem a diminuir o "custo" do consumo de substâncias viciantes em nossa sociedade. Nossas leis são "filhotes" de tratados internacionais, que defendem a total abstinência do uso de substâncias que alteram o estado mental. O abuso de substâncias é um problema. Quem tem/teve amigos viciados conheçe a dor que é, e da importância de lidar com a questão das drogas. Só que a "abstinência" não é uma solução social. Talvez um ou outro indivíduo consiga vencer as drogas através da abstinência, mas uma sociedade inteira não.

A dez anos a ONU se propôs a concentrar esforços para reduzir os níveis de produção, comércio e consumo de entorpecentes adotando o mesmo modelo de política que sempre se usou, o proibicionista. De lá pra cá, os preços das drogas caíram, o número de usuários de drogas aumentou e os países gastam cada vez mais como consequencia desta política. Porém, há alternativas para o controle de drogas. Porque não se discutem essas políticas com maior frequencia?

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Outra questão que eu quero levantar é: se um indivíduo busca a alteração da mente, ele não tem apenas as drogas ilícitas como meio para isso. Pode-se muito bem "abusar" das drogas lícitas, mais específicamente, de drogas vendidas sob receita médica.

Pois bem, coloquei no Google ( "prescritpion drug abuse" ONDCP ) sem os parêntesis e entrei no site da Office of National Drug Control Policy, a agência dos Estados Unidos dedicada a tratar da "questão das drogas" . Para minha surpresa (será?), li que, naquele país, o abuso de drogas vendidas com receita só é ultrapassado pelo abuso da maconha. Como qualquer nível de uso de maconha nos Estados Unidos é abuso, pois seu consumo é proibido, não é de surpreender a constatação. Eu sei que todas as sociedades são sui generis e que os Estados Unidos e o Brasil não são a mesma coisa... mas no quesito "consumo de drogas" devem ser bem parecidos. O que é, de fato, mais perigoso: abusar no uso da maconha, ou abusar no uso de remédios?

Não é a toa que certos remédios são classificados como "tarja preta", indicando que seu uso é controlado. Sua venda só é permitida com apresentação da receita médica, que fica retida na farmácia para que não se compre maior quantidade da substância do que é necessário. Bacana, suponho que seja proibido ir a dois médicos diferentes e conseguir duas receitas iguais, mas será que isso nunca acontece? ou outras tantas maneiras de "burlar o sistema"?

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Ou seja, algumas substâncias são vendidas e financiam a "turma do barulho", enquanto o governo investe no "combate às drogas". Desde outra perspectiva: uma parte da sociedade financia bandidos, que são combatidos pelo governo, que é financiado pela mesma sociedade. Sem sacanagem, vocês esperam alguma solução? Eu não. Para mim seria melhor fazer com que a população financiasse apenas um desses dois lados, e aparentemente a imposição da abstinência não está surtindo efeito.

sábado, 30 de agosto de 2008

PROCURA-SE SG!



A Organização das Nações Unidas vêm por meio deste iniciar sua campanha "Procura-se um Secretário Geral".

Enquanto Geórgia e Rússia envolvem-se num conflito sem precedentes nos últimos anos e as tensões entre os russos e o Ocidente elevam-se; enquanto o Zimbábue continua em um impasse institucional, e Mugabe se recusa a deixar o poder; enquanto o governo de Musharraf cai e a situação do Paquistão é incerta; enquanto a Mauritânia vê seus militares darem um golpe no presidente...

POR ONDE ANDA NOSSO SECRETÁRIO GERAL?

A ausência de condenações, demonstrações de preocupação e articulação política por parte de nosso SG nos faz lançar esta campanha para que, no mínimo, saibamos por onde anda nosso querido SG.Estamos abertos a opçõe alternativas, como Secretários-Gerais reciclados!

Interessados no posto favor entrar em contato com koffiannan_wannabe@un.org.

Grata,

Nações Unidas

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Do que estamos tentando nos proteger, afinal?

Em 2005, tivemos o plebiscito sobre o Desarmamento. Tão logo a notícia do polêmico plebiscito fora divulgada, eu, sinceramente, acreditava que todos votariam a favor do desarmamento. Afinal, do alto de todo meu conhecimento absoluto e inquestionável de 18 anos de idade sabia que armas eram ontologicamente “erradas”. Como eu seria a favor de algo que foi construído essencialmente para matar outros seres humanos?

Minha surpresa e conseqüente decepção com os brasileiros começou na faculdade de Relações Internacionais. Um professor, despretensiosamente, fez uma votação informal para saber o que pensávamos. Em uma turma de cinqüenta, 12 eram a favor do desarmamento. Uma turma de futuros internacionalistas? Pessoas que deveriam pensar o mundo e se preocupar com o futuro da humanidade. Aquilo me pareceu muito errado. Na minha turma de Direito o número de pessoas a favor era basicamente o mesmo, mas minha turma tinha cem pessoas. Todavia, o resultado na minha turma de Direito era esperado. Eles tinham uma visão mais egocêntrica. Todos queriam ser juízes, promotores e delegados, ter porte de arma, ser cidadãos de bem e utilizarem suas armas para se protegerem da patuléia que os cercava no centro da cidade no caminho para o ônibus do condomínio com ar-condicionado.

Estamos em 2008, e hoje, com 21 anos, eu vejo as coisas de maneira diferente. Eu entendi. Afinal, quantas pessoas morrem no Brasil por armas de fogo, 550 mil (entre 97-03)? O que é isso comparado aos conflitos Israel-Palestina? Em que 125 mil pessoas morreram em 53 anos de conflito ou na Guerra do Golfo? Que matou o quê? Cerca de 2 mil pessoas, no máximo? Não se entende o resultado da votação até perceber quem morre por armas de fogo. Se você é jovem (15 a 29 anos), do sexo masculino, negro ou pardo, e de baixa renda, parabéns! Você tem 500% mais chance de morrer por armas de fogo do que qualquer outro. Isso na nossa adorável América Latina, que possui 14% da população, mas 42% dos homicídios por armas de fogo no mundo. Mais uma vez, as eleições de 2005 reiteraram a mentalidade brasileira (e aqui eu não entro nem na discussão institucional) de manutenção da ordem para as elites e repressão de uma maioria minoria desprivilegiada.

O que me deixa mais frustrada é que as pessoas não percebem que, na verdade, nessa violência armada TODOS perdem. O BID fez uma avaliação que para reverter os efeitos da violência armada a América Latina teria que gastar 170 bilhões. Muitos questionam: ah, mas o que o Brasil tem a ver com isso?

1 – o Brasil faz parte da América Latina quer vocês queiram ou não;

2 – o Brasil é o maior exportador regional de SALW (Small Arms and Light Weapons, também chamadas de Armas Pequenas e Armamento Leve - Apal);

E o que os cidadãos “de bem” têm a ver com isso?

- Existem, pelo menos, 650 MILHÕES de armas de fogo no mundo nas mãos de civis, o que corresponde a 75% do total. Eles são a maior fonte do mercado ilegal, visto que todo anos, são esses “cidadãos de bem” que compram mais de 80% das armas de fogo fabricadas no mundo inteiro. E atualmente, essas armas são utilizadas em quase todos os conflitos do mundo por serem baratas, fáceis de usar e portáteis.

Hoje, como eu já havia dito, eu penso de maneira diferente. Eu não sou contra as armas porque elas são ontologicamente erradas. Eu sou contra porque eu sei que elas atrasam o desenvolvimento quando elas destroem os aparatos do Estado, além de tornar a segurança pública em um desafio muito maior ou uma quase guerra. Eu sou contra porque eu sei que elas tornam mais fácil que outros crimes como estupro e roubo ocorram. Eu sou contra porque só até junho desse ano 241000 pessoas haviam morrido diretamente por armas de fogo, isso sem contar as mortas por causas relacionadas. Eu não quero esse sangue em minhas mãos, agora que eu sei, eu não posso me esquivar da responsabilidade. E você? O que vai fazer a respeito?

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Análise: Rússia reconhece formalmente independência de Ossétia do Sul e Abhkhazia

Link para reportagem: http://www.nytimes.com/2008/08/27/world/europe/27russia.html?_r=1&ref=world&oref=slogin

No dia de hoje o presidente Dmitri Medved, seguindo orientação e pedido do parlamento, reconheceu formalmente a independências das regiões da Ossétia do Sul e da Abhkazia, que fazem parte do território da Geórgia (ao sul da parte européia da Rússia). Como resposta, o presidente georgiano, Mikheil Saakashvilli, convocou uma reunião de emergência com seus ministros, além de ter afirmado que essa é prova irrefutável da não-retirada russa de seu território, além de clara violação a fundamentos basilares do Direito Internacional, como a soberania e não-intervenção. Seus protestos fizeram eco à reação norte-americana, tendo Condolezza Rice descrito a ação como "lamentável", e da UE, tendo tanto Sarkozy como Merkel as descrito como "violação ao princípio da integridade territorial". O presidente Saakashvilli continuou afirmando que isso é mais que uma afronta somente à Geórgia, mas a todo o Direito Internacional que rege as relações das potências ocidentais e, corroborando com essa idéia, é muito pouco provável que países de alguma importância no Sistema Internacional venham a seguir os passos do reconhecimento russo.

A questão pode ser olhando por diferentes primas, sendo eles:
=> Rússia: as regiões há anos tinham uma independência de facto do governo georgiano, sendo muito mais próximas de Moscou que de Tbisli. O ponto de mudança no status quo que vinha se estendendo já há alguns anos foi a repressão, dias atrás, de forças separatistas pelo governo central da Geórgia, retaliado prontamente pelas forças russas - criando, finalmente, uma desculpa para a intervenção e a oportunidade perfeita em apoio mais ativo à separação. Uma contradição interessante quando confrontada à situação da Chechênia, que pede a mesma separação e é recebida com a mesma leveza de um elefante.
=> Geórgia: são parte de seu território e estão querendo se separar. Tem o Ocidente ao seu lado, mas uma Rússia cobiçosa de uma nova (e própspera) região que pode ser anexada/entrar em sua esfera direta de influência, o que é bastante incômodo. Tenta se utilizar de mecanismos multilaterais, como a ONU, para aumentar seu poder na questão - ainda que "as fraquezas" dessas organizações, como a incapacidade de ação sem a aprovação da própria Rússia, não ajude muito nesse ponto...
=> Ocidente: a Rússia está crescendo. Novamente. A continuação da diplomacia expansionista e confrontadora que Putin iniciou (e obviamente continua orquestrando, agora como Primeiro-Ministro) é razoável quando traz consigo petróleo, gás e novos lugares para se investir, mas essa confrontação tem um limite - que pode estar chegando. Os próximos passos dos EUA e da UE e, principalmente, a resposta da Rússia pode arrefecer ou abalar ainda mais a tímida confiança que vem do pós-Guerra Fria.
=> ONU: Não é nova a situação, mas teremos, provavelmente, um novo Iraque. Tal qual 5 anos atrás, nada o CS poderá fazer ou deixar de fazer enquanto a Rússia tiver seu veto. O que leva ao repensar da função da organização: paz mundial para quem?
=> Mundo: Tudo pode acabar em pizza. Ou não. É interessante como a situação no mundo vem estremecendo nos últimos 7 anos. Ainda que seja um mero marco histórico e pouco tenha a ver com isso, o 11 de Setembro determina uma nova era: saímos do "Pós-Guerra Fria", essa zona incerta em que uma possível unipolaridade estabelecer-se-ia. Entramos em uma era de nova contestação hegemônica; por ora, ainda só pela economia (vide o crescimento chinês, a crise americana...), mas o que não impede uma contestação mais direta em alguns casos. A Rússia pode ter dado esse primeiro exemplo hoje. Mas o principal a se ter em mente é a lembrança que, independente de declínios de antigos hegemons, a contestação dessa liderança e sua mudança efetiva é sempre feita, no limite, por vias belicosas. O século passado testemunhou duas guerras mundiais e uma ameaça de quase 50 anos de guerra nuclear. Rezemos para que as disputas continuem só econômicas...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Lata para o Brasil!

Nas últimas 24 horas, sofrendo com o desempenho sofrível brasileiro, tive a oportunidade de ver as 3 pratas que agora figuram no malfadado "Quadro de Medalhas". Três ocasiões bem distintas. Pois bem, à elas:
- Na vela, Scheidt e Prada se recuperaram de um oitavo lugar para conseguir o segundo de forma suada (e com a sorte ao lado, é verdade). Começaram mal a semana, viram que estavam com uma estratégia errada para os poucos ventos de Beijing (dos quais, a propósito, eles tinham conhecimento, mas decidiram arriscar por ser onde são os melhores) e mudaram nas últimas provas: chegaram entre os primeiros em todas essas e acabaram com a segunda posição. Se tivessem velejado com inteligência desde o início o ouro era certo, mas ok, errar é humano. E parabéns pela prata, foi uma excelente conquista dada a situação.
- No futebol feminino, sempre fomos melhores. Jogamos melhor e mais bonito. Mas errados. Chutão pra frente e "toca pra Marta e Cristiane que elas se viram" NÃO é estratégia. Tomamos 4 contra-ataques: um entrou, outro bateu no pé da trave. Até tentamos de todas as maneiras, estávamos sem sorte, é verdade - mas aí vem o Oscar, pedante como ele só, e fala "A sorte acompanha os preparados". Pois é. Nós jogamos futebol. Elas jogaram futebol com tática. Elas ganharam. Prata.
- No vôlei de praia masculino, começamos bem. 8 a 2 no primeiro set. E perdemos a cabeça. No segundo set, parecia que íamos pra vala - e em 4 saques viramos e vencemos o set! Isso dá enredo de filme de Sessão da Tarde que explica a superação, né? Não. No set seguinte, perdemos de 15 a 4. Sim, 15 a 4. Na final de uma Olimpíada. Jogamos errado o tempo todo. Perdemos a cabeça. E o jogo.
A verdade é que a grande maioria dos esportes brasileiro parecem ser formados por amadores, sem nenhum preparo psicológico. O desespero, o descontrole, o desamparo - essas são as marcas do Brasil nessa Olimpíada. Assim caímos no Judô com o Derly; no basquete; no handball, masculino e feminino; no atletismo, com o Diego e com a Jade... enfim. Caímos. No choro, no desespero, na derrota.
É possível que ainda tenhamos a "melhor participação do Brasil nas Olimpíadas"! Algo bem pífio. Eu arriscaria 3 ouros, 4 com sorte. Mais que isso é esperar muito de uma delegação que veio "favorita" como nunca e desapontou, quase que inteiramente, como sempre. Não que uma prata ou bronze não tenham valor - claro que sim! Quando duas desconhecidas levam o bronze na vela, como a Oliveira e a Swan, é algo maravilhoso. Ou mesmo no Judô (ainda que todos esperassem algo BEM melhor que essa participação do Brasil).
O grande problema é rever a dificuldade de sempre: a defesagem técnica e psicológica dos atletas brasileiros com relação aos de elite. Sem essa de "somos heróis porque temos pouco investimentos" - claro que é verdade para a maioria dos esportes, mas dado o intercâmbio, o apoio e o investimento do próprio judô, por exemplo, três bronze são nada! E falar que não há investimento em futebol no Brasil é nos chamar de palhaço.
Há o mal investimento. E há a falta de preparo psicológico - a famosa "hora do vamos ver".
E há os palhaços que vão dormir às 2 da manhã pra ver um vexame de 15 a 4. E que perdem seu tempo escrevendo sobre isso. Esses são os piores, sem dúvida.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

"Unhappy America" ou Mal-estar da Potência

Em uma de suas últimas edições, a revista inglesa "The Economist" trouxe em sua capa a bela imagem da estátua da liberdade de costas, sentada em posição reflexiva, enquanto Constituição e tocha repousavam no chão. A imagem ilustrava a reportagem sobre o humor dos americanos, que parece hoje em um estado só comparável ao dos anos 70 pré-Reagan. E isso tudo antes das Olimpíadas.

A inspiração inicial pra esse post veio do meu choque quando soube que todos os jornais e TVs americanos estavam divulgando o quadro de medalhas olímpico pelo total de medalhas, e não pela contagem de ouros, como se faz de forma usual, para que os EUA permanecessem à frente da China. A minha surpresa foi logo dissipada quando descobri que, na verdade, essa sempre foi a maneira de se representar o quadro nos EUA, e que mesmo o COI não endossa nenhuma classificação em específico. Mesmo assim, a lavada que a China vem dando nos americanos não deixa de incorporar-se a um certo mal-estar que a grande potência parece sentir; uma certa incapacidade de compreender um mundo que, ora bolas, há pouco parecia-lhes tão simples.

As pesquisa de opinião nos EUA indicam que mais de 80% dos americanos se dizem insatisfeitos com o rumo que o país toma. 80%!!! Isso na nação que se define pelo american way of life, american dream, american century! A própria construção da nação americana necessita nessa crença do “paraíso na terra” que a América oferece: se os franceses são os cidadãos da República e os alemães o folk da terra, os americanos são a gente que cruzou os mares, desbravou o continente e por isso pode ter um Hummer na garagem! Sem Hummer, sem Budweiser (na mão dos Europeus, derrota das derrotas!), enfiados os pés nas areias do Afeganistão e do Iraque, os americanos simplesmente não entendem quem são...

E agora as Olimpíadas! Os norte-americanos, sempre donos das piscinas, quadras e circuitos, vêem os antes inofensivos chineses se distanciando no número de ouros (no momento que escrevo são 17 medalhas a mais para os chineses) e aproximando-se no quadro total (são 12 a mais para os americanos). E isso porque os EUA têm o fenômeno Phelps!! Caso o nadador-peixe resolvesse declarar independência e inscrever-se nas Olimpíadas como a República Aquática Michael Phelps, seriam 8 medalhas douradas a menos para os EUA, ou mais de 25% de suas medalhas de ouro! Tudo bem que um Phelps não é produto do acaso, mas de muito investimento; mesmo assim, é um número surpreendente para a maior potência olímpica em décadas.

E, para finalizar, agora me aparecem as pesquisas que dizem estar o McCain na frente do Obama! O McCAIN!! Perdoe-me, mas não posso deixar de achar que isso é reflexo das Olimpíadas!! “Obama? Sendo aplaudido por malditos alemães em Berlim?? Prefiro o McCain, torturado por norte-vietnamitas, mas que depois sai de lá and kick their asses!”

É amigos, o blues norte-americano, causado por derrotas econômicas, militares e olímpicas, parece estar levando à descrença em que “We Can Change” oferecida por Obama...Na dúvida, pensam norte-americanos encolhidos em casa, comendo Kit-Kat, fiquemos com o bom velhinho republicano....

Tensão Pré-Eleitoral

Eleições são uma época complicada. Principalmente se você é morador da Zona Norte/Oeste do Rio.

- Não, meu comentário não foi preconceituoso, eu moro no Maracanã... -

Hoje, no ápice da minha irritação vou elencar o que mais me irrita em campanhas:


- Carros de som - Os caras que dirigem essas coisas claramente ficam surdos no final do dia, acredito que entre a garotinha e o Crivella e seus malditos anúncios, eu perdi 35% da minha audição;

- Santinhos que cobrem as ruas e entopem bueiros (decidi não votar em candidatos que vir com vários santinhos no chão, mostram uma clara falta de preocupação com o meio-ambiente e falta de capacidade de planejamento urbano);

- Candidatos com muitas pessoas carregando bandeiras e cartazes: primeiro, claramente as pessoas que fazem isso ganham mal; segundo, isso mostra que o candidato tem dinheiro, mas em vez de utilizá-lo em estratégias mais sustentáveis e apelativas ao seu eleitorado, resolveu explorar a miséria humana, ou seja, ele não merece meu voto!


Bem, não vou entrar na discussão política e em quem eu vou votar... Mas pelo menos, com esses critérios já fica fácil descobrir em quem eu NÃO vou votar...

Início da Propaganda Política no Rio

Se há algo que me divirto em ver mesmo antes de poder votar é campanha política. Não de prefeito, governador ou presidente, pois os candidatos líderes na pesquisa são politicamente corretos demais para falar qualquer coisa que possa chocar (ou divertir) o eleitor (nota importante: o salário mínimo de 1000 reais para as eleições de 2002 do candidato Rui Costa Pimenta foi excepcional, nesse caso).

Mesmo nas campanhas para Senador isso é bem incomum. Agora, a propaganda para deputados estadual e federal são ricas em promessas estapafúrdias, trejeitos, frases-prontas e "Você me conhece!" Mas se há realmente diversão na propaganda eleitoral é quando a gente presta atenção nos Vereadores. Quem presta atenção ou leva a sério os Vereadores? Provavelmente mais de 80% da população não lembra do seu último candidato! Então, o que eles fazem? Não se levam a sério!

Pois bem, melhores momentos da campanha do Rio, hoje a tarde:
=> Meu nome é Fulano. O 007. XX007. Vote em quem você confia. O 007. XX007! (...)
=> Eu já fui governador do Rio! E agora minha filha quer ser candidata a Vereadora! Pela cultura, educação, emprego; Fulana! (Vocês sabem quem é o governador. Parem e pensem: cultura, educação, emprego? Pobre filha...)
=> Já foi provado que aqueles que têm o dinheiro controlam a política e que o voto não resolve nada, somente a mobilização das massas! Por isso, peço seu voto! (Então... ele quer nosso voto pra controlar a política porque tem dinheiro? õ.o)
=> Os outros dois são iguais, se quer mudar, por uma Caxias melhor, vote.... (Ela realmente não diz QUEM são os outros dois - mas eles são maus, muito, muito maus...)
=> "Quem bate cartão não vota em patrão" (É o lema do PCO, mas é que eu acho ele excepcional em qualquer ocasião!)
=> Na última eleição eu não fui eleito por 8 votos. Nessa, conto com a sua ajuda para me divulgar! (Ele não ter sido eleito talvez seja indício de ALGUMA coisa, não?)
=> Você me conhece...[insira sua abobrinha aqui] (Número de vezes falado: 8)
=> Primeira candidatura:...[insira sua mentira aqui] (Número de vezes falado: 3)
=> [Bla, bla, bla]...saúde, educação e cultura! (Número de vezes falado: 15)

E esse foi o primeiro dia... esperemos (por favor!) por mais!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Rock & Pop

Desde conversas com amigos, até matérias em revistas especializadas, sempre ouço as palavras “Pop” e “Rock” usadas para distinguir um estilo de música do outro (geralmente o outro do um). Acontece que, na minha cabeça, aparece uma daquelas janelas do Windows dizendo “Erro Fatal! Este processador efetuou uma ação ilegal”. Rock e Pop são mesmo estilos opostos?.
Para mim, Pop é abreviação de popular, que se distingue, no caso da música, de erudita(o). O Rock é um estilo de música que posso encaixar dentro da categoria Pop. Então, por exemplo, Beatles, e Paralamas tocam Rock. Ambos são bandas Pop(ulares), pois, por exemplo, suas canções tocam direto na radio. É bem verdade que tocam menos do que eu gostaria, mas mesmo assim são bandas populares. Seu objetivo é que qualquer pessoa, independente de ter estudado algo de música, escute suas músicas e possa reproduzi-las em casa. Convenhamos que é bem mais fácil se juntar a alguns amigos e tocar Cazuza do que Haydn, por exemplo. Não que se juntar pra tocar Haydn seja necessáriamente chato.
A Orquestra Sinfônica Brasileira, por mais que tenha mais cartazes espalhados pelo Rio de Janeiro do que, sei lá, Secos e Molhados, não toca música Pop. Claro! Seu principal público é de pessoas que têm mais estudo de música do que um cidadão médio. Isto quer dizer que “música erudita é só para intelectuais, enquanto música popular exclusiva para o povão”? De forma alguma. Arthur Dapieve é um erudito em música popular, e as apresentações da OSB na praia de Copacabana enchem... Bem menos do que os Rolling Stones, é verdade, mas enchem.
O Rock é, por excelência, música popular. A primeira transmissão ao vivo via satélite de uma apresentação de música na História foi com os Beatles apresentando “All You Need is Love”, em 1967. Vão me dizer que 400 milhões de pessoas (mais do que a população do Brasil Inteira) ouvindo uma mesma banda não a torna popular? Ou que os Beatles não tocavam Rock?
Acho que quando a galera que só curte Led Zeppellin, Queen, e outras bandas inquestionavelmente de rock, perceber o fascínio de bandas mais populares – que não significa necessariamente passar a gostar de Capital Inicial - daremos um passo a consolidar a nação Rock no Brasil. Porque hoje em dia a coisa está triste. A não ser que se busque bandas independentes, qual é o rock que mais ouvimos? Jota Quest e Charlie Brown Junior. Desse jeito eu até estou considerando frequentar a OSB na praia...